Actions in Time: After the breakage of pottery and before the construction of walls at the site of Castelo Velho de Freixo de Numão

Lesley K. McFadyen

Resumo


Abstract

This article is about an enclosure that would normally be defined by its walls. There are many other sites like this in the Iberian Peninsula. Traditional accounts would interpret this site as a fortified settlement, although the excavation director Susana Oliveira Jorge has written in more ritual terms of a monumentalised hill. However, there is another issue, and it underlies and forges the construction of both of these accounts, they are constituted through the spatial. The spatial distributions of ‘architectural’ and ‘material culture’ elements are key to these understandings. But what of their temporal dimensions?

The enclosing walls of Castelo Velho are a complicated maze of different construction projects that rarely crystallise into clear static forms, and appear to be as much material practice as architecture. Fragments of pottery, as well as slabs of stone, make up these entwined structures and because of this I used the pottery to get at space in a different way. In particular, I have utilised the temporal qualities inherent in assemblages of potsherds in order to understand the temporality of the entanglement of walls. Pots, like walls, are not frozen objects but have extended histories and if you locate these alongside the extended histories of buildings you get an overlap. It is this overlap that adds an extra temporal complexity that enhances the understanding of the site.

In this article, I consider the significance of this temporal trajectory, and how it reconfigures accounts of the making and unmaking of space in the Chalcolithic.

Keywords: time, fragmentation, pottery, architecture, practice, history

Resumo

Acções no Tempo: depois da fragmentação da cerâmica e antes da construção de estruturas em Castelo Velho de Freixo de Numão

Este texto centra-se na arquitetura do recinto murado de Castelo Velho de Freixo de Numão (Vila Nova de Foz Côa), datado do III/1ª metade do II milénio AC. A arquitetura destes recintos murados é tradicionalmente associada a sistemas de fortificação, sendo a sua construção uma resposta à necessidade de defesa de pessoas e bens. Porém, desde meados dos anos 90 do século XX, têm-se multiplicado os pontos de vista sobre este tipo de arquitetura, surgindo novos modos de discutir a sua espacialidade e temporalidade. Com o propósito de contribuir para esta discussão, pretendemos explorar o entrelaçamento entre os “elementos arquitectónicos” e os “elementos de cultura material”.

Os muros que definem Castelo Velho são um complicado labirinto de distintos projetos de construção que raramente se cristalizam em formas claras e estáticas. Pelo contrário, sugerem que se ensaie uma ideia de arquitetura como um conjunto de complexas práticas materiais. O estudo que agora se apresenta partiu da análise cerâmica para tentar compreender a construção do espaço de um modo diferente, pois o entrelaçado de estruturas não é apenas composto por lajes de pedra, mas também por fragmentos de cerâmica. Prestando particular atenção às qualidades temporais de conjuntos de fragmentos cerâmicos específicos, tentaremos compreender a temporalidade do emaranhado das paredes. Os recipientes cerâmicos, tal como as paredes, não são objetos congelados. Estes vestígios materiais apresentam longas histórias que, colocadas ao lado das histórias de construção, oferecem um conjunto de sobreposições de acontecimentos. São estas sobreposições que, ao adicionar complexidade temporal e espacial ao estudo destes contextos, aumentam as possibilidades de compreensão do recinto.

Palavras-chave: tempo; fragmentação; cerâmica; arquitetura; práticas; histórias


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